domingo, 16 de maio de 2010

Profecias Maias do Chilam Balam de Chumayel e o Katun 4 Ahau

Os livros ou manuscritos de Chilam Balam são os livros sagrados dos maias do Yucatão, constituídos por textos díspares. Os títulos destes livros são complementados pelos nomes das localidades iucatecas a que pertenciam, como Chumayel, Mani e Tizimin. Os maias iucateques atribuíam estes livros a um autor lendário chamado Chilam Balam. Chilam significa um intérprete dos deuses e Balam significa jaguar, mas é também um nome comum no Yucatão, por isso o título poderia ser O Livro do Profeta Balam.
Chilam Balam viveu durante as últimas décadas do século XV e provavelmente as primeiras do século XVI e previu a chegada de estranhos de leste (os espanhóis) que estabeleceriam uma nova religião. A realização imediata dessa previsão reforçou a sua reputação como vidente.

Os textos tratam sobretudo de história (tanto pré-hispânica como colonial), calendários, astrologia, ervas medicinais, rituais, catecismos nativos, contos mitológicos da criação do mundo e profecias. Das profecias, a maioria são desfavoráveis: seca, fome, peste, guerra, convulsões políticas, o saque das cidades e o cativeiro dos habitantes.

Nos Livros de Chilam Balam, encontramos duas diferentes séries de profecias para os períodos de tempo chamados Katun (correspondem a 20 anos), englobando os treze katuns que compõem o registo – ou a Roda - de katuns. Esta começa com o Katun 11 Ahau e acaba com o Katun 13 Ahau. Cada Katun tem o seu nome, o seu ídolo ou divindade ("a face do Katun”), uma profecia dos seus eventos e o nome do lugar onde está "estabelecido" o Katun.
A primeira dessas duas séries é a mais antiga, uma vez que pouco tem em conta os acontecimentos que ocorreram após a conquista espanhola, apesar de a mencionar. A sua linguagem é também um pouco mais simbólica do que a da outra série.
A segunda série de profecias é totalmente registada no Chumayel, mas da primeira série, apenas aparecem versões abreviadas das profecias para os Katun 11, 4, 2 e 13 Ahau. A segunda série está completa no manuscrito de Tizimin, que também contém as profecias da primeira série. Nos Livros de Chilam Balam de Mani, Oxcutzcab e Kaua apenas são encontradas as treze profecias da primeira série. Em ambas as séries de profecias Katun, as alusões mais antigas são acerca da história de Itzá.
Os maias sobrepuseram o ciclo Katun à sua história e supuseram que se repetiria infinitas vezes. Assim, o que ocorreu no passado durante um determinado Katun é esperado que volte a ocorrer no futuro em outro Katun do mesmo nome.

Relativamente ao período actual, encontramo-nos no Katun 4 Ahau, que terminará em 2012. A profecia para o Katun 4 Ahau, segundo o Chilam Balam de Chumayel é a seguinte:

“O Katun é estabelecido em Uuc-yab-Nal no Katun 4 Ahau. À boca do poço, UuC-yab-Nal, ele é estabelecido... Deverá amanhecer/nascer no Sul. O rosto do está coberto/escondido; o seu rosto está morto. Há luto/aflição/lamentos por água, há luto/aflição/lamentos por pão. O seu tapete e o seu trono devem enfrentar/dirigir-se para o Oeste. Vómito de sangue é o fardo. Naquele tempo, a sua tanga e o seu manto serão brancos. Inacesível será o pão do Katun. O quetzal virá; o pássaro verde virá. A árvore kax virá, a ave virá. O tapir virá. O tributo deverá ser escondido à boca do poço.”

Nas décadas seguintes, seguir-se-ão os Katun 2, 13 e 11 Ahau, todos eles com grandes tribulações para a humanidade. De destacar no Katun 13 Ahau a referência a um eclipse solar (ou metáfora para algum outro fenómeno que provoque o desparecimento da luz solar) que durará 5 dias.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Entrevista com Patrick Geryl

Nesta entrevista, Patrick Geryl fala-nos da sua visão sobre 2012 e anuncia a descoberta da localização do labirinto descrito por Hérodoto, o famoso historiador grego conhecido como o pai da história. Geryl acredita que dentro deste labirinto estará a confirmação de todas as suas teorias.


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Inscrições maias de Tortuguero

Tortuguero (ou El Tortuguero) é um sítio arqueológico maia, situado perto de Tabasco, no México, que acolheu uma cidade maia durante o período clássico maia. A maioria dos monumentos sobreviventes de Tortuguero são do reinado de B'alam Ajaw (Senhor Jaguar), que governou de 644 a 679 d.C.. Estes monumentos registam várias vitórias em estados próximos. O local tem sido bastante danificado por furtos e pelo que chamam de desenvolvimento, inclusive, em 1960 foi lá construída uma fábrica de cimento…

O monumento 6 de Tortuguero encontra-se a gerar discussão, dado que possui a única inscrição conhecida alusiva ao final do actual período - conhecido como Baktun 13 - em 2012. Este monumento foi erguido em torno de 670 d.C. e entretanto sofreu desgastes, portanto, nem tudo o que está nele escrito pode ser traduzido, restando apenas especulações. O que está escrito e que pode ser lido actualmente é o seguinte:

No idioma Maia: “Tzuhtz‐(a)j‐oomu(y)‐uxlajuunpik (ta) Chan Ajawux(‐teʹ) Uniiw. Uht‐oomEk’‐? Y‐em(al)?? BolonYookteʹ (Kʹuh) ta?”.

Em Inglês: “The Thirteenth Bak’tun will end(on) 4 Ajaw, the 3rd of Uniiw(a.k.a 3 K’ank'in). ?? will occur. (It will be) the descent(?) of the Nine Support? (God(s)) to the ?.” (tradução de David Stuart).

Em Português: “O 13º Baktun terminará a 21 de Dezembro de 2012.?? Ocorrerá. A descida (?) do deus(es) de nove pés para?.”

(Nota: as interrogações são glifos ininteligíveis)

Apesar das partes ininteligíveis, a inscrição de Tortuguero parece descrever um acontecimento que envolve a descida de um deus (ou deuses), aparentemente o deus Bolon Yokte.

Bolon Yokte pode ter muitos significados: bolon = nove, y = pluralidade, ok = pé e te = árvore. Daí surgiu que Bolon Yokte pode significar deus dos nove passos, ou deus dos nove pés, deus de muitos avanços, deus de muitos suportes/apoios… Há também a sugestão de que Bolon Yokte é antes Balan Yokte, significando então árvore dos pés do jaguar. Em representações maias, como por exemplo nos murais de San Bartolo, aos pés da árvore da criação (associada à Via Láctea) aparecem uns misteriosos pés de jaguar.

O que existe de consenso é que Bolon Yokte é o deus da mudança, da destruição e da criação. Contrariamente a divindades maias mais comuns citadas diversas vezes - como as da chuva, dos ventos, da noite - Bolon Yokte é citado apenas no monumento 6 de Tortuguero, no códice de Dresden e aparece no desenho do Vaso dos 7 Deuses ou Senhores que estavam presentes no momento da criação do mundo. Que significará a presença em 2012 de uma divindade presente na criação do mundo? Apesar da inscrição incompleta de Tortuguero, a mera presença de Bolon Yokte sugere criação, renovação.